O telefone, ferramenta de conexão diária, também se tornou o principal canal para golpes financeiros. Cada chamada pode esconder uma armadilha sofisticada, capaz de levar vítimas a prejuízos elevados.
Dados recentes mostram que o Brasil registra cerca de 4.600 tentativas de golpes financeiros digitais por hora, muitas delas realizadas por meio de chamadas telefônicas ou mensagens instantâneas. Em apenas um ano, as perdas estimadas com ofertas falsas chegam a R$ 71,4 bilhões, um valor que reflete a gravidade e a frequência desses ataques.
Segundo pesquisa Datafolha, 10,8% dos brasileiros foram vítimas de golpes financeiros no último ano. Desse total, apenas 30% registraram boletim de ocorrência, o que revela a alta taxa de subnotificação e dificulta o combate efetivo às quadrilhas.
Esses cinco estados concentram grande parte das fraudes, mas o problema atinge todo o país, de capitais a cidades de porte médio.
Os dados indicam que indivíduos com renda familiar entre 5 e 10 salários mínimos, com ensino superior completo, são os principais alvos dos criminosos. Surpreendentemente, pessoas entre 25 e 50 anos concentram mais de 70% das tentativas, especialmente na faixa de 36 a 50 anos, que enfrentou 1,1 milhão de ataques em nove meses.
Maria, 42 anos, moradora de São Paulo, recebeu uma ligação informando sobre uma cobrança indevida no cartão de crédito. Confiando na voz calma do suposto atendente, ela forneceu dados e foi orientada a transferir R$ 2.500 para regularizar a suposta pendência. Apenas depois percebeu que o banco nunca a havia contatado.
Casos como o de Maria mostram que qualquer pessoa pode ser vítima, independentemente de nível cultural ou grau de instrução.
Os criminosos utilizam roteiros bem ensaiados para conquistar a confiança da vítima. Entre as modalidades mais comuns, destacam-se:
Golpe do funcionário do banco: o estelionatário se apresenta como representante de uma instituição financeira, solicita confirmação de dados, códigos de segurança ou direciona a vítima a aplicativos falsos.
Ofertas irresistíveis: promessas de produtos com descontos excepcionais ou lançamentos exclusivos, geralmente acompanhadas de links falsos para pagamento.
Máquina de cartão falsa: o estelionatário visita a residência para instalar uma maquininha, recolher cartão e senha sob pretexto de manutenção ou atualização.
Mensagens urgentes via SMS ou WhatsApp: notificações de supostos problemas na conta, combinadas com pedidos imediatos de envio de dados sensíveis.
O prejuízo médio por vítima varia de acordo com o tipo de golpe. Na “fraude do cartão”, a perda gira em torno de R$ 1.702, enquanto golpes via Pix ou boletos falsos resultam numa média de R$ 1.470 por pessoa. Algumas vítimas relatam gastos adicionais com a compra de novos celulares ou boletos bancários para tentar reaver valores.
Além dos impactos financeiros, as fraudes provocam desgaste emocional, sentimento de vergonha e insegurança, afetando a qualidade de vida e a confiança em serviços digitais.
Apesar da gravidade, apenas 30% das vítimas formalizam denúncia policial. Muitos acreditam que o processo de investigação é complexo ou que as chances de recuperação do valor são baixas. Essa falta de confiança nas autoridades acaba alimentando a impunidade.
Profissionais de segurança alertam que a subnotificação impede a construção de cenários precisos, atrapalhando ações de prevenção e punindo menos os responsáveis.
Para reduzir os riscos e reagir rapidamente em caso de tentativa de golpe, siga estas recomendações:
Empresas devem investir em autenticação rigorosa e campanhas de educação continuada, informando clientes sobre as táticas mais comuns e reforçando canais oficiais de atendimento.
O crescimento dos golpes por telefone reflete o avanço da tecnologia e a habilidade dos criminosos em explorar canais digitais e de voz. Consumidores, empresas e autoridades precisam atuar em conjunto para fortalecer defesas e reduzir vulnerabilidades.
Para o consumidor, a principal linha de defesa é a informação: manter-se atualizado sobre as práticas de fraude e adotar hábitos seguros no dia a dia. Já as empresas devem aprimorar seus mecanismos de verificação de identidade e criar pontes de comunicação transparentes com o público.
Ao unir esforços e elevar o nível de alerta, é possível transformar o telefone em um meio seguro de contato, minimizando riscos e protegendo milhões de brasileiros das armadilhas financeiras que se disfarçam em simples ofertas.
Referências